sábado, 11 de abril de 2009

fuga



Às vezes dou por mim a pensar no disparate que existe na necessidade de alguém seduzir e ser seduzido por outro alguém. E é disparate quando, já digeridas as primeiras impressões (nas quais nem sempre confiamos…) e guardadas na gaveta do “deixa lá ver como é”, se continua num registo de sedução-conquista, e quando correspondida, mais perigosa se torna.

E bem pode haver um esforço para confiar naquilo que não se quer (sem saber ao certo o que afinal se quer), particularmente bem delineado à frente dos olhos, mas que mesmo assim se continua a deitar achas para a fogueira.

As dinâmicas da sedução despoletam motivações que parecem contraditórias: angústia e desejo vem se a conquista do lado de lá abranda no momento em que do lado de cá cuidamos de dar mais, pleno frenesim pupulante se a conquista anda em paralelo uníssono, sufoco quando a nossa voz abranda e a outra ocupa todo o seu tempo para tornar visível a sua disponibilidade para nos querer, bem-estar sadicamente gozado quando não respondemos deliberadamente a uma investida do outro lado de lá em nós, um álibi socialmente aceite e pessoalmente merecido para descansarmos da rotina chata e cansativa, solidão quando paramos para escrever sobre isto.

Solidão. Por ela se perde muito tempo.



sexta-feira, 10 de abril de 2009

bulldog boxeur Toninho e o gang dos Amaldiçoados mas Pouco, no ringue da cesta de vime


























Escusado será dizer que o gang dos Amaldiçoados Mas Pouco venceu o cansado mas lutador, até ao fim, bulldog boxeur Toninho.

um beijinho para os meus gatinhos, onde quer que estejam, pelo mundo.

domingo, 29 de março de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

nuances

pintura de Rabi Khan



- Dissolve o cansaço na paisagem de uma mulher desenhada, e bebe. Bj

- Sinto-te. Bj


sexta-feira, 20 de março de 2009

ar

Paira por cima das copas um vento vindo
das areias quentes do outro lado do mundo.
E diz baixinho que abraça, suaviza a pele seca do frio das estações passadas
e que fica.
É doce que nem um kiwi maduro de tempo
e sumarento como um pedaço fibroso de manga.
A minha cadeira está no outro lado da estrada.
Não me sento. Encosto-me, por instantes.


terça-feira, 10 de março de 2009

ANIMAL



na ausência de palavras, os actos.


assinem, por favor, a petição:

http://guillermohabacucvargas.blogspot.com/



domingo, 8 de março de 2009

III. três


Anos e anos passaram na ausência:

Alimentar-se pelo pensamento fechado em alguém e… ter medo,

muito medo de… beijar.

Naturalmente e para não se arrepender de nada fazer,

lhe disse na despedida, já longe, Gostei de ti.

Afinal não foi embora, ficou. Hum… fugir…. bem, para lado algum.

Só lhe restou enfrentar.

E não estava sozinha na sua curiosidade. Que bom…

Maravilhoso momento mágico.

Pela noite sonhava que a primeira paixão a afagava e

murmurava palavras doces ao ouvido. Estranho, pensou já acordada.

Conversa e conversa… ir para o outro lado, com cautela, sentindo o caminho.

Mas,

sem culpas,

desceu à terra com pés de bailarina

e teve a real e infeliz (feliz) sensação de que, afinal,

nada tinha passado de um equívoco engendrado pela Esperança

que guardava em si, discreta… sempre, sempre… Sempre.

No fim, eclipsou-se a lua na ausência de gatos de olhares intensos e profundos, densos, os certos.

Pensou, Ups! merda, ainda bem que o beijo não aconteceu, mas gostei de ti…

Agora,

olha para si calmamente e vê as fibras negras de algodão doce

pousadas na cadeira do quarto, desengonçadas e molhadas da chuva,

tecidas por si com as mãos de fada que retirou no outro dia da gaveta,

sem ter dado conta de que as usava.






quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

II. dois



Ainda bem que há sol.

Agora é tomar banho e olhar para o cheiro

Já primaveril

E continuar.

No nicho de corujas não faltam lamparinas

Iluminadas a azeite

E na noite branca brinda com as últimas pessoas,

Cada vez menos, que a faziam continuar a dar um coração à vida.

O bolo de cenoura já está no corredor

À espera de ir, fatiado, para o banco de jardim,

Debaixo daquela árvore.





domingo, 25 de janeiro de 2009

I. um


Suponho que a sua vida não fosse…

Suposições.

Deixar de fumar para ver se o pensamento se emancipava,

sufocada, muda,

de voz plana, cansada. A pensar.

Merdices.

Tudo o resto ia na mesma:

chovia sempre que lhe apetecia espairecer,

o vento soprava quando ia pôr o lixo,

e o sol abria nas vezes em que não saía.

Já podia sentir as horas

separadas dos segundos.

Maravilhoso.

Mas uma coisa é certa: o trabalho não faz falta nenhuma.

A sua presença é útil só para fazer adiar problemas,

é o melhor álibi para qualquer coisa.

É a melhor maneira de evitar

sentar o rabo na cadeira e sentir os tendões a doer.

Entre a mascarilha e a máscara,

atrevida e escondida,

via os golpes de esperteza saloia de alguns

e a fuga dos mais tímidos pelo lado mais escuro.

Tinha o ombro esquerdo mais descido,

o que a fazia temer por males das costas,

com o passar da idade.


sábado, 3 de janeiro de 2009

pintura de Plamen Temelkov


beber um gole de espumante.
o borbulhar da minha bebida acompanha a batida acelerada do coração.
desejar, como na carícia de um amante,
o pleno
sentir-me mais feita
e ir.


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

há noite com luz


o candeeiro da Vânia e da Sónia
que está no desktop do meu computador no trabalho

sábado, 25 de outubro de 2008

Mulher entre aspas, parte 1

Título original da obra: «Stile Vivo», tradução de M. Salomé Fernandes e Lucília Correia.
Edições Salesianas
Composto e impresso em Manufacturas Modesta, Porto


Pretendo partilhar um longo caminho expositivo sobre o que se entende por «estilo», ou melhor, por mulher portuguesa nos anos 60 a partir de um almanaque de capa dura cinzenta plastificada que adquiri pelo valor simbólico de 0.50 cêntimos neste mês, numa loja de antiguidades na cidade de Coimbra. Na primeira página deste livrinho surge a citação Mudai de estilo ou mudarei de lugar (D. Fr. Man. de Melo - Apólogos Dialogais II, p. 16).

Toda a obra parte do conceito de «estilo» sempre enunciado entre duas aspas para assim definir o que significa ser um exemplar de «mulher», ou, uma «mulher» exemplar. O «estilo» vai-se definindo e define várias regras de comportamento ao longo de vários espaços: na casa de Deus, em casa, com os vizinhos, com os superiores, na escola,...

Este pequeno perdido e achado livrinho poeticamente escrito na segunda pessoa de um singular feminino pode ser o catalisador de uma noite humorística feita com amigos e na companhia de um bom vinho, como o foi no meu serão de ontem.
Mas muito além de uma anedota para os nossos olhos de hoje, é acima de tudo uma maneira de treinar sensibilidades para o poder que os significados circunscritos num tempo e agilizados por uma instituição de valores específicos podem adquirir quando traduzidos numa palavra («estilo»), tão úteis no forjar de condutas, valores e imagens da identidade feminina que se define por oposição ao que não é e, portanto, que manifesta igualmente o retrato das outras identidades no confronto com as quais especifica a sua singularidade.
Uma relíquia, um tesourinho (deprimente fascizóide?), um testemunho de uma sociedade já longínqua (ou não?), um exercício de lavagem cerebral, um manual de etiqueta e da boa educação, um receituário para o bem, ou uma prova da natureza processual e construída da identidade pessoal e de género que, por ser isso mesmo, ajuda a reflectir sobre a diferença de ser mulher ou de estar (a ser) mulher numa determinada situação relacional com o outro ou outros e, numa dimensão mais macro, um esclarecimento sobre a relação porosa entre aquilo a que chamamos sociedade e o lugar que as pessoas ocupam nela, pois através deste livrinho construímos uma imagem da sociedade portuguesa da altura, feita por pessoas contemporâneas desses valores, supostamente estrangeiras na sociedade portuguesa de hoje que por sua vez constrói outras pessoas e é construida constantemente por outras...
O mais interessante é que o que é estranho para uns pode ser familiar para outros, mesmo entre aqueles que nasceram na mesma geração.

Assim, pela leitura das várias partes deste artefacto cultural muitas questões se colocam mas às quais uma ideia surge transversal a todas: o que é a verdade? O que podemos estar sendo nós na situação x, y ou z? E porque pode ser a «Cortesia Feminina» um bom momento de um serão bem humorado e propiciador de uma conversa interessante?
Para mim este achado é isso: um achado.

Parte 1: introdução
pg. 5-7

ESTILO E ALEGRIA

Eu canto a alegria. A tua alegria.
Inspira o meu canto a vida que tu constróis
na realidade de uma autenticidade pessoal.

«Estilo» é educação interior, que se realiza na
forma externa de cortesia, de domínio,
de boas maneiras, de educada e agradável cordialidade.
São muitos os que fixam os olhos em ti: a tua acção é esperança.

Não é alegria vâ, feita de coisas pobres.
Não é alegria melancólica sobre a qual
cai a triste sombra do entardecer.
Não é alegria rumorosa e oca.
Mas alegria verdadeira.
Porque tu, na grande cidade humana, pelo teu «estilo»,
não serás apenas menina educada e distinta,
serás frase de um diálogo,
serás nota de maravilhosa harmonia,
serás voz, que influenciará o mundo.


ARTE DE BEM VIVER

«ESTILO»

feito de boas maneiras, equilíbrio, educação,
cuja base
é
sinceridade, dignidade, naturalidade.

«Estilo» não é a aparência, ostentação, contrafacção,
é convicção interior.
É expressão de personalidade.
Hoje a vida é feita de relações humanas.
Guerra ao fingimento sentimental nas nossas relações.
Guerra ao comportamento pseudo-moderno,
obstinadamente anticonformista,
feito de atitudes imorais, superficiais,
incorrectas, muitas vezes triviais,
sempre egoístas.

«ESTILO» É A ARTE DE BEM VIVER:

* Não no sentido de «oportunismo»,
Sim no sentido humano e cristão de educação da liberdade interior.
* Percorrer o nosso caminho, com agilidade e desembaraço,
sem estorvar os outros caminhantes.
* Corrigir o temperamento: moderá-lo, nos impulsos mais fortes;
sem renunciar à própria personalidade, antes, mantendo-se na medida do equilíbrio, para não ferir a personalidade dos outros.
* Ter na vida certezas absolutas: ideias-luz, ideias-força, que estabeleçam relações com os «outros» de maneira equilibrada, educada, calma.
Em dominante de caridade.
* Ser uma personalidade que não se concentre demasiado no seu «eu»,
nem dele saia com infantil superficialidade.
Serena, forte e consciente da sua missão,
num desejo de melhorar o mundo.


Pequeno código de cortesia
que transcende
a vã aparência da etiqueta,
para mergulhar as suas raízes na interioridade do espírito.

POR ISSO «ESTILO» É PERSONALIDADE



quinta-feira, 16 de outubro de 2008

o bom e o mau






relativamente a....
em virtude de...
na situação em que...
é assim: (...)
enfim.........



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

no fim do meu texto
a tão sempre despedida
para que um dia
a uma ténue luz
sinta a ferida
das poucas palavras que te escrevi
no fim...


de tantas que senti.


desenho de Kelly Murphy

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008




My Lady Story

Hope there's Someone

The Lake

Criplle and the strarfich

Antony and the Johnsons



terça-feira, 30 de setembro de 2008




a família de Olga


Olga e Lisbeth



Olga










Lisbeth





algumas ilustrações do livro Génealogie d'une Sorcière,

Benjamin Lacombe e Sébastien Perez

sábado, 27 de setembro de 2008

black garden

desenho de Camille Rose Garcia

miaus

o meu gato Mefistófeles e a minha gata Nina