domingo, 14 de setembro de 2008

já longe



o mar




e a aridez




do descanso prometido.


movimento










sábado, 13 de setembro de 2008

cat's home

fotografia de Bogdan Zwir



sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ainda o deserto e Arcade Fire





Sergio Leone, Once Upon a Time in the West e Arcade Fire,

My body is a cage do álbum Neon Bible, 2007





My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

I'm standing on a stage
Of fear and self-doubt
It's a hollow play
But they'll clap anyway

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

You're standing next to me
My mind holds the key

I'm living in an age
That calls darkness light
Though my language is dead
Still the shapes fill my head

I'm living in an age
Whose name I don't know
Though the fear keeps me moving
Still my heart beats so slow

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

You're standing next to me
My mind holds the key
My body is a

My body is a cage
We take what we're given
Just because you've forgotten
That don't mean you're forgiven

I'm living in an age
That screams my name at night
But when I get to the doorway
There's no one in sight

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

You're standing next to me
My mind holds the key

Set my spirit free
Set my spirit free
Set my body free


terça-feira, 9 de setembro de 2008




Ao longe, olho e imagino o aroma das montanhas
fortalezas desta cidade.
Apetecia-me o calor visceral da praia
E nunca sair da água transparente cheia de peixes de várias cores,
envelhecer lá.
Nunca vou parar de amar as pessoas que amo.
A felicidade é o que se sente por segundos.
Só e muito.

Estou de ressaca de todas as contrariedades e desconfortos
e imobilizo todos os pensamentos e movimentos.
Reencontro com o outro lado,
que respira finalmente, devagarinho.
Não tenhas medo.
Podes sair.


sábado, 6 de setembro de 2008

o deserto, os camaleões, o mar, on the road e Radiohead. In Rainbows




Weird Fishes/Arpeggi


In the deepest ocean
The bottom of the sea
Your eyes
They turn me
Why should I stay here?
Why should I stay?


I'd be crazy not to follow
Follow where you lead
Your eyes
They turn me


Turn me on to phantoms
I follow to the edge of the earth
And fall off
Everybody leaves
If they get the chance
And this is my chance


I get eaten by the worms
Weird fishes
Get picked over by the worms
Weird fishes
Weird fishes
Weird fishes


I'll hit the bottom
Hit the bottom and escape
Escape

I'll hit the bottom
Hit the bottom and escape

aquele querido mês de Agosto

radioactividade felina

sandyskoglund-radioactivecats, 1980


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Certos Outros Sinais



Navegamos por águas longe e pelo nevoeiro.
A bordo do nosso navio fantasma SOMOS O QUE SOMOS

e ao nosso redor apenas o chapinhar das águas
misteriosamente calmas
de encontro ao casco nos impressiona e informa.
Acreditamos que jamais o homem será escravo

enquanto houver um só Poeta, isolado e ignorado que seja,
a reclamar a si mesmo a decisão ou indecisão magníficas.

O homem não é um «animal». Esta catalogação é um erro da Biologia.

Agrada-me profundamente saber que eu estou num ponto do Universo

que necessita ser esticado para o lado de fora,
quero dizer: para a minha frente.
Se rebentar é a minha mais profunda aspiração que foi satisfeita!

O Futuro é tão antigo como o Passado.
E ao caminharmos para o Futuro é o Passado que conquistamos!

[…]

António Maria Lisboa (1928-1953)

Poesia



para o meu avô Marcolino

(avô gordo, estou muito feliz)





domingo, 31 de agosto de 2008

palavras sentidas, escritas e palmilhadas



cena inicial do filme Central do Brasil, 1998, de Walter Salles





para uma contextualização do filme e uma interpretação a ler ver artigo em
http://www.facasper.com.br/cip/communicare/edicao_7_1/pdf/07.pdf

a ver.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

sexta-feira, 18 de julho de 2008

menina, menina



Ao objecto criado por nós (pessoas educadas e criadas por valores ocidentais) seja ele uma fotografia, um texto, uma escultura, um prato de culinária, um cachecol ou uma pintura, vem sempre associado um nome. Não um nome qualquer, mas o nome de quem o concebeu e lhe deu forma material. Sem a autoria, o objecto não será enquadrado na categoria de arte, pois claro. Adoptará outras categorias, sempre questionáveis.

A autoria, enraizada naquilo a que chamamos individualismo e antropocentrismo, vem justamente valorizar o objecto porque lhe associa um nome, não o da peça, mas sim o do artista, o produtor da obra – o que se traduz num enaltecimento do artista, no fundo, sobrepondo-se à obra pela sua assinatura ironicamente por debaixo a esta.
Ora, supostamente, o objecto fica dotado de um valor que se lhe acresce enquanto produto, e com isso fica a pertencer a alguém (mesmo que não queira nem nunca quisesse) e que vai para lá daquilo que o objecto faz, ou seja, daquilo que as pessoas fazem com ele e como o apreendem e o integram nas suas vidas, quer dizer, de todo o processo que envolve e dá protagonismo ao próprio objecto. A reivindicação dos direitos de autor é exemplo disso.
A identidade do objecto não lhe é atribuída pela sua vida, mas pela vida, percurso, características peculiares e filosofias do artista.

Pois bem… E se a obra estiver muito ao lado da pessoa do artista que a concebeu?

Há fotografias que ficam lembradas para a vida; há sabores indescritíveis; há palavras anónimas que se leram e não se esqueceram nunca; há memórias de experiências de subjectividade. Há lugares feitos por nós a partir daquilo que outros fizeram.
Há obras que tocam a elegância que os seus autores gostariam de conceber, um dia, para si próprios.





sexta-feira, 11 de julho de 2008

transparência



fotografia de Marília Campos
bath




No meu rosto, as marcas da felicidade que vivi
no passado.
Nas minhas mãos, tudo o que senti e afaguei.
Nos meus olhos,
aquele que ainda não vi.
Nos ouvidos, a viagem para dentro de mim.
Nos meus pés, a vontade de fugir a dançar.
Na minha pele, os espaços que habito.
Na minha boca, a palavra certa e directa quase, quase a sair,
De certo
deselegante, crua e solitária
para os que andam encurvados, a monologuear
por aí.

Nos meus cabelos, o cansaço transparente do meu corpo.






quinta-feira, 10 de julho de 2008

Hat Women

pintura de Outlaw Jesus





pinturas de Ken Dougherty





terça-feira, 8 de julho de 2008

the eye

Esher

Viajando da margem para o centro
Tornei visível
O bom e o mau
Que está alojado em mim.
O cansaço deste lado adormece
Com o cair da madrugada
E regurgita toxinas de que não preciso.





sexta-feira, 4 de julho de 2008

balancés


fotografia de Marília Campos


Costumava ir para os balancés nas noites muito quentes de verão, com o meu irmão e a minha mãe. Ficavam no jardim, no lado esquerdo. A minha avó ia lá ter connosco.
Lembro-me de ter estado à altura destes cavalos de madeira, de rodar e rodar, e de sentir o vento massajar-me as bochechas. O coração batia, batia, batia.
Havia alguns cavalos com a madeira já degradada, estavam gastos de tanto correr, de tanto transportar, em círculo, crianças cheias de vida.
Mas os meus cavalos andavam sem par, eram quatro apenas, em cruz.
E a areia entrava para dentro das sandálias quando corria para os baloiços.





quinta-feira, 3 de julho de 2008

domingo, 29 de junho de 2008

amor,



imagem de Yoshitaka Amano

vou continuar a pensar-te
assim
em tons de sombra.
e quando fizeres em presença
a magia da felicidade
os meus olhos ficarão ainda maiores
para te ver melhor
perto de mim,
Sim.




quinta-feira, 19 de junho de 2008

O meu palácio


Pedra a pedra, construí um palácio para o meu primeiro amor. Pus um tapete vermelho e esperei-o como um espelho que reflecte a preto e branco, amei-o
tanto sem cor. O príncipe chegou e quando pressentiu que eu talvez fosse pedra fugiu.
Frase a frase construí um palácio para o meu segundo amor entre as rimas
de um soneto um retrato a branco e preto que nos julgava mortais, amei-o mais
que a dor. O príncipe chegou e quando pressentiu que eu talvez fosse um verso
fugiu.
No meu corpo vou construindo um palácio como quem vê o sol pôr, feito apenas dos meus passos, dos desejos e abraços que nos fazem não ter fim,
amo-te sim amor.
O príncipe chegou e quando pressentiu que eu era uma mulher sorriu.



Jorge Palma


terça-feira, 27 de maio de 2008