domingo, 14 de outubro de 2007

Paolo Conte





Sotto le Stelle del Jazz



processo



pintura de Ken Dougherty


Não quero, perco, desisto, ganho, insisto,
contrario aquilo que sinto,
sou coerente com aquilo que quero,
iludo o teu olhar com o meu,
esqueço o que vejo quando me olhas?





sábado, 13 de outubro de 2007

aquele abraço




abraças, entregas-te
risos.
não queres permanecer no sítio errado, ninguém quer.
neste fim de tarde, o jogo de luzes a branco no preto
dissipou, por momentos, a ansiedade de partir para qualquer outro lugar.
as tuas costas ficaram estendidas, os teus braços abertos à terra, a tocar areia porosa.
mas o verão foi de viagem, como tu.
quiseste segui-lo para poderes continuar a entrega, noutras paragens.




fotografia: Celina
Vibrissa


sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Higher Love


the fruit of her labor


pintura de Terri Woodward







terça-feira, 9 de outubro de 2007

em silêncio







os dois senhores
, fotografias de Karina Bertoncini





À medida que acumulo vida
Fico mais tempo
a ver o que tenho dentro.
Esse ficando é sereno, honesto, emancipado.
Fico
Com um cigarro que me vai filtrando…
E sem pudor sinto – em silêncio –
Aquilo que sou.



segunda-feira, 8 de outubro de 2007

domingo, 7 de outubro de 2007

de luvas



Sat night, Sun morn R; pintura de Sas Christian

mais pinturas aqui



não, as lágrimas negras que vês não são lágrimas negras.
o tecido da minha luva, negra, humedeceu e deixou, em mim, a marca de um grito que não é meu.





sexta-feira, 5 de outubro de 2007

hipótese (?)




A luxúria é o orgulho do corpo; o amor é o orgulho da alma, um orgulho que não é mais que a luxúria da alma.

Alexandre Puchkine
Diário Secreto
(1836-1837)



quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Voltar


imagem: Girl Reading,
Oliver Ray


Como hoje se disse, actualmente a Antropologia é antes de mais uma tecnologia que serve para pensar (sobre), para resolver equívocos, conflituosidades, lêr nas "entrelinhas" o que não parece ser assim (infelizmente) tão visível e tão deveras importante.
Voltar a trabalhar esta questão é, para mim, um privilégio.
Mas há um receio subjacente, típico de quem esteve fora demasiado tempo.
Voltar ao espaço onde aconteceram mudanças profundas na construção e noção de pessoa, com tudo o que isso implicou (e ainda implica) é uma experiência perturbante, porque forte emocional e organicamente.
O início de um novo começo está a despoletar algo... Há decisões a necessitar de moderação, de reflexão em processo, de olhares precisos, de re-leituras.
Voltar a viajar.




terça-feira, 2 de outubro de 2007

minutos de lusco-fusco em Coimbra




fotografias: conchada 2003
Rita.



memórias de minutos..... minutos de memórias.......





segunda-feira, 1 de outubro de 2007

frase solta

imagem: Yoshitaka Amano



os apaixonados assassinam malmequeres para poderem acreditar na eternidade dos amores precários.



Al Berto


domingo, 30 de setembro de 2007

What will you say?




It's been such a long time
And I was just a child then
What will you say
When you see my face?
Time feels like it's flown away
The days just pass and fade away
What will you say
When they take my place?
It's funny now

I just don't feel like I'm a man
What will you say
When you see my face?
My face...
Mother dear, the world's gone cold
No one cares about love anymore
What will you say
When you see my face?
Father do you hear me?
Do you know me?
Do you even care?
What will you say
When they take my place?
My heart can't take this anymore
What will you say
When you see my face?
When you see my,
See my face...
I can feel your time crawling
To a slow end
I can feel my time crawling
To a slow end...
Mother dear, the world's gone cold
No one cares about love anymore
What will you say
When you see my face?
Father do you hear me?
Do you know me?
Did you even care?
What will you say
When you take my place?
Well it's so funny now
I just don't feel like I'm a man
What will you say?



Jeff Buckley ao vivo em Glastonbury
Mystery White Boy, 2000


mais músicas e vídeos aqui e aqui






sexta-feira, 28 de setembro de 2007

aquela forma de me olhar

fotografia: Judy Miss Ben Joud, 2002




de vibrissas bem despertas
sem medo e sem barreiras
de frente
olhos nos olhos
com a curiosidade que basta,
e portanto q.b.,
para criar uma corda entre,
um entendimento entre
dois.
sensibilidades captadas
traduzidas
trocadas e
de quando em vez
tocadas.


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

ora com licença...



Momentos finais de intimidade com um franguinho estufado e um copo de vinho tinto.


fotografia: Maio de 2007, a catarse em minha casa
Rui Gaspar


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

o acaso do Amor



- Duas semanas, pá! Como é que se pode ficar apanhado em duas semanas?

- Como é que apanhas um cardume se nem sequer estás a pensar no peixe?
É o Amor, é o Amor...



diálogo em
O Capacete Dourado
filme de Jorge Cramez
2007

(ver sinopse)








imbecilidade

pare

escute

e

olhe.

não tropece.

mostre-se digno da curiosidade alheia.



terça-feira, 25 de setembro de 2007

Life's too short for the wrong job!














sugestão da Joana
(tens toda a razão, amiga! estou na caixa há já muito...)


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

os cinco mistérios do dia-a-dia



Make a piece for nuns, for the woman who takes comfort in herself, who finds companionship in an empty room.
Bill Viola






instalação de vídeo "Catherine’s Room", 2001, exposição "The Passions" de Bill Viola, na National Gallery , Londres, 2003




Uma pessoa e um quarto.
Emoções expressas na tela vazia do silêncio.
Ao fundo, uma janela pequena, um marcador que separa e distingue as diferentes apropriações do tempo e do espaço que se vão estabelecendo ao longo de um dia.
Experiências ritualizadas que dão sentido à vivência de um quotidiano.
A pessoa e a sua íntima solidão.





quarta-feira, 19 de setembro de 2007

momento



no sofá de veludo azul
desfaz-se a casca dura na pele reabsorvida,
bebe-se um gole de chá
adocicado com mel,
trauteia-se um refrão daquela música que soube tocar
e
evita-se o último cigarro
para
mais tarde se fumar,
naquele momento que o saberá justificar.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

A Oralidade e a Cultura Popular



Conto recolhido em Castelo Branco


Candeeiros de Cinquenta Luzes, Mesas de Engonsos e Garfos de Cinco Pontas

«Em tempos distantes, havia um rei que tinha uma filha muito linda. Entre os muitos criados que a serviam, um gostava muito dela, e ela também gostava dele, mas, pelas suas situações, não podiam casar-se.
O criado, quando lhe diziam que era tonto em pensar casar com filha do rei, respondia:
- Ai casa tão rica a de meus pais: candeeiros de cinquenta luzes, mesas de engonsos e garfos de cinco pontas!
Tantas vezes estas palavras foram repetidas aos ouvidos do rei que acabou por admitir o casamento da filha com o criado.
Ficou muito admirado de encontrar uma casa muito pobre, e perguntou onde estavam os candeeiros de cinquenta luzes, mesas de engonsos e garfos de cinco pontas.
- Espere que venha minha mãe, - respondeu o criado.
Momentos depois aparece uma velha que trazia no regaço muitas pinhas que pôs na lareira e a que deitou o fogo. Acesas, as pinhas com as suas lindas chamas, o rapaz disse muito contente:
- Aí estão os candeeiros de cinquenta luzes.
Como eram horas do jantar, o rei perguntou pela mesa de engonsos. O criado disse:
- A mesa de engonsos são os joelhos, onde pomos os pratos para comermos.
Admirado por não ver os garfos, o rei perguntou também por eles.
-Os garfos de cinco pontas são os cinco dedos, - respondeu o noivo.
Mas como a filha do rei gostava muito do criado, e vista a esperteza dele, o rei consentiu o casamento.»



In Contos e Lendas da Beira
Recolhas de Jaime Lopes Dias

Edições Alma azul
2002