

Viajando da margem para o centro
Tornei visível
O bom e o mau
Que está alojado em mim.
O cansaço deste lado adormece
Com o cair da madrugada
E regurgita toxinas de que não preciso.
imagem de Yoshitaka Amano
vou continuar a pensar-te
assim
em tons de sombra.
e quando fizeres em presença
a magia da felicidade
os meus olhos ficarão ainda maiores
para te ver melhor
perto de mim,
Sim.
pintura de Plamen Temelkov, Esperanza
de dentro deste cansaço vem
um travo amargo de uma dor
de costas que em muito se deve à insistência de criar coisas,
de dar à luz novas coisas.
de entender.
há pormenores que ocupam o espaço de um gigante,
porque são aquelas eurekas só agora descobertas por nós.
e isso é que importa.
o bater na porta
e entrar.
the dreamer, Jetinder Marjara
fotografia de Marília Campos
apetece partilhar aquilo a que chamam de solidão
numa mesa de café
numa cidade a que não se conhecem os atalhos,
as pessoas, os hábitos.
assim se mastiga o tempo
temperado com vida.
apetece olhar para a maneira de olhar,
os modos de estar, de sorrir, de pentear, de dançar
Aquela (minha) dança,
os modos de fugir, de esconder o que não se consegue ter
para se ser feliz.
apetece viajar, desvendar as cadeiras onde se senta
a espera dura de um presente construído, passo a passo,
aquela lágrima que hidrata.
apetece perguntar como é lá...
Her skin was darker than ashes
And she had something to say
Bout being naked to the elements
At the end of yet another day
And the rain on her back that continued to fall
From the bruise of her lips
Swollen, fragile, and small
And the bills that you paid with were worth nothing at all
A lost foreign currency
Multi-coloured, barely reputable
Like the grasses that blew in the warm summer breeze
Well she offered you this to do as you pleased
And where is the poetry?
Didn't she promise us poetry?
The redwoods, the deserts, the tropical ease
The swamps and the prairie dogs, the Joshua trees
The long straight highways from dirt road to tar
Hitching your wheels to truck, bus, or car
And the lives that you hold in the palm of your hand
You toss them aside small and damn near unbreakable
You drank all the water and you pissed yourself dry
Then you fell to your knees and proceeded to cry
And who could feel sorry for a drunkard like this
In a democracy of dunces with a parasites kiss?
And where are the stars?
Didn't she promise us stars?
Nothing will ever be as it was
The price has been paid with a thousand loose shoes
Pictures are pasted on shop windows and walls
Like a poor mans Boltanski
Lost one and all.
Sell, sell
Bid your farewell
Come, come
Save yourself
Give yourself over
Pushing your consciousness
Deep into every atom and cell,
Sell,
Bid your farewell
Come, come
Save yourself
Give yourself over
Pushing your consciousness
Deep into every atom and cell,
Sell,
Bid your farewell
Come, come
Save yourself
Give yourself over
Pushing your consciousness
Nine Horses, Atom and Cell
From childhood's hour I have not been as others were; I have not seen
as others saw; I could not bring my passions from a common spring.
From the same source I have not taken my sorrow; I could not awaken
my heart to joy at the same tone; and all I loved, I loved alone.
Then
in my childhood, in the dawn
Of a most stormy life- was drawn
From every depth of good and ill
The mystery which binds me still:
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that round me rolled
In its autumn tint of gold,
From the lightning in the sky
As it passed me flying by,
From the thunder and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.
Edgar Allan Poe
fotografia de Haleh Bryan, Portrait bitsleve, leve
agarro-me à superfície instável do mundo
suspensa no fim das coisas que não se querem perder.
re faço-me
num jogo de equilíbrios s s s s.
é o meu pensamento térmico,
na dissolução do que não encontra lugar dentro deste corpo.
exercício feito
de mãos
suadas,
senhoras que tecem o tecido daquilo que vou sendo.
choro invisível,
momento só
meu.

numa moldura permeável que recorta a imagem que me interessa,
na curiosidade de um olhar
desorganizo a coerência do tecido que vejo,
desfoco a expressão particular por nuances de cinzentos esbatidos,
dissolvo os limites dos contornos,
dou cor ao que procuro.
pelo ângulo inferior direito
inspiro o jeito,
o cheiro do teu corpo.
procuro o vento frio o caruncho pode desfrutar do meu velho sofá deixo as manchas de café o candeeiro de pé vou em busca do meu Norte.
Levo imagens que sonhei tesouros que roubei
a famosa gabardine azul tem mais alguns rasgões
levo as horas que perdi o espelho a quem menti sigo em direcção ao Norte
Quantos pontos cardeais ficarão no cais da solidão? Quantos barcos irão naufragar, quantos irão encalhar na pequenez da tripulação?
Deixo os dias sempre iguais os mundos virtuais deixo a civilização que herdei colher o que plantou
abandono o carrossel a Torre de Babel deitei fora o passaporte
Confio às constelações as minhas convicções quebro o gelo que se atravessar no rumo que eu escolhi
o astrolábio que há em mim vai respirar enfim
hei-de alcançar o meu Norte
Jorge Palma, Norte
2004
Não gosto de vento, desfragmenta-me a coerência e a solidez com a qual
me tento construir.
Os meus cabelos negros já foram mais fortes.
Não gosto do Natal, mais uma obrigação, uma imposição da Srª Sociedade
Que afinal não é tão abstracta assim. Existe, e de que maneira, a telecomandar
Todas as criaturas à qual dá guarida, temporária.
Nesta altura, ninguém consegue ser criativo, rendem-se àquilo a que chamam (sem saberem ao certo o que significa) de tradição. O senso comum reflecte (não no sentido crítico) a Srª Sociedade e vice-versa.
Devia haver uma época festiva chamada de Criação (sem a conotação judaico-cristã), onde as famílias e amigos se reunissem
Com o objectivo de serem criativas, críticas da vida que vivem ou que querem viver.
Os presentes que se davam eram manualmente feitos, pensados e arquitectados para a pessoa certa, e não comprados alienadamente nos terríveis shoppings locais.
Enfim, parece que já ouvi isto em qualquer lugar, mas é o que sinto.
Se calhar é do vento, que me desorienta.
Vibrissar por Cristina Valentim