sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Natal ventoso
Não gosto de vento, desfragmenta-me a coerência e a solidez com a qual
me tento construir.
Os meus cabelos negros já foram mais fortes.
Não gosto do Natal, mais uma obrigação, uma imposição da Srª Sociedade
Que afinal não é tão abstracta assim. Existe, e de que maneira, a telecomandar
Todas as criaturas à qual dá guarida, temporária.
Nesta altura, ninguém consegue ser criativo, rendem-se àquilo a que chamam (sem saberem ao certo o que significa) de tradição. O senso comum reflecte (não no sentido crítico) a Srª Sociedade e vice-versa.
Devia haver uma época festiva chamada de Criação (sem a conotação judaico-cristã), onde as famílias e amigos se reunissem
Com o objectivo de serem criativas, críticas da vida que vivem ou que querem viver.
Os presentes que se davam eram manualmente feitos, pensados e arquitectados para a pessoa certa, e não comprados alienadamente nos terríveis shoppings locais.
Enfim, parece que já ouvi isto em qualquer lugar, mas é o que sinto.
Se calhar é do vento, que me desorienta.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
forma canibal de...
Por cada passa que voluntariamente faço, estou a alimentar-me de mim.
Ou seja, no início de um cigarro, é a mioleira que se consome;
Ainda no início, começa-se a saborear os olhos, nossos, ou aquilo que vemos com eles;
Depois, segue-se as pernas, a barriga;
A seguir come-se a mão, aquela que está a acompanhar a refeição, a malvada cúmplice;
No fim, é a língua, que nos repõe a saliva na boca e as palavras no discurso, e ficamos, já sem o cigarro na boca, (que entretanto morreu) sem língua, pernas, barriga, olhos e mioleira, enfim, apenas com a outra mão para levar ao queixo.
Eis que a eureka acontece, já com o meu corpo deglutido.
ah! os pulmões! esses ficam lá, para poder respirar fundo no final da refeição.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
O Gato
semi aberta
Gatos de pantufas e roupão pela manhã
Gatos que gostam de cerelác
Gatos mafiosos e preguiçosos
Gatos que gostam de gatos
Gatos que saem caro
Gatos que fazem fotossíntese
Gatos que falam
Gatos que correm e brincam às escondidas por detrás das cortinas
Gatos que dormem nos cantos escuros das camas
Gatos que se espraiam na banheira molhada
Gatos que gostam de ser gatos.
Gatos…
e pessoas que gostam de gatos.
domingo, 9 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
the eye
Cada vez mais tenho dificuldade em perceber se as pessoas com quem falo e trato de questões de trabalho, indivíduos sem nenhum vínculo afectivo e de cumplicidade comigo, sabem o que é o exercício de se imaginarem de fora.
Frequentemente, sem aparente motivo, surge no meu ecrã uma imagem de mim, naquele preciso momento. Estou a olhar-me de fora, a ver-me nas minhas actividades do dia a dia, mas sempre de fora, imaginando como é que os outros me veriam, ou melhor, a desenhar a minha presença, o meu fenómeno, numa tentativa de o sentir, perspectivar-me numa distância impossivelmente alcançável, e pensar sobre mim. (no meio do outro)
Este processo não se prende com a ideia de imagem perfeita para os olhares alheios, não é por isso que acontece. Acontece de forma espontânea, quase um delírio, uma viagem para o lado de lá. A expressão do olhar e do corpo acabam por desvendar este momento quase de transe. Fico voltada para dentro ao voltar-me para fora.
Mas há pessoas que nunca se esboçaram numa caricatura. Desconhecem a sua sombra.
Há criaturas que nunca dilatam os seus olhos por uma questão de segundos no meio da sua vidinha medíocre de ratos. Hão-de ficar incapacitados por uma corcunda patológica de tanto olharem para os umbigos, secos e desnutridos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
poema
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
terça-feira, 20 de novembro de 2007
old friends
só entre velhos amigos... é que paramos para pensar no que acabaram de nos dizer, quase ao ouvido.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
woman
pintura de Outlaw JesusAs mãos já enrugam nas dobradiças dos dedos, frias.
Deixei o lápis preto e o rímel para uma outra noite.
Despi a roupa do dia, transpirada pela espera maldita,
Servi-me do jantar feito com requinte e cuidado
Saboreei um quadradinho de chocolate negro
Acariciei o gato de textura escura
Que me persegue, insaciado, por um gesto de afago.
Desconheço o espaço anterior a este,
Não me lembro.
O meu corpo é a expressão não pensada do que um dia foi.
domingo, 11 de novembro de 2007
passei por aqui, hoje
é sempre bom ir ao Porto
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
miau!
os gatos no cimo de cumes brancos
escondem estórias de mistério.
domingo, 4 de novembro de 2007
fico
No embalo do meu próprio ombro
No cheiro intrínseco a mim
Nos dias emagrecidos pela noite longa
Na lua que de súbito se esconde
Na ausência
Na saudade
Na incompletude do meu espaço
Na silhueta de perfis esguios.
No embalo do meu próprio ombro
Me escondo e fico
Nos ângulos escuros das portas semi-abertas.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
os animais
o debate sobre a relação entre os animais e a população humana não é recente. no entanto, pensar o conceito de dignidade no seio deste debate assume contornos bastante contemporâneos, implicando uma reconstrução necessária da ideia de "direitos dos animais". ao nível do senso comum, os animais têm um conjunto de direitos que a priori de uma reflexão mais profunda resultam numa clara evidência. contudo, os animais não vivem sozinhos, imunes às práticas culturais, económicas, políticas de quem também habita o mundo. se pensarmos na interacção mais antiga e mais recente entre os humanos e os animais num mesmo meio que é o planeta Terra, essa evidência (que os animais têm direito a ter direitos) rapidamente cai por terra. será que só os humanos têm direito a ter direitos? (a questão da universalidade dos direitos humanos é outra temática para outro post)
o que eu acho que nós, humanos, podemos fazer pelo respeito pelos animais passa, em primeiro lugar, pela consciência de que (e buscando a definição hindu de direitos humanos, dharma) a natureza e os homens partilham um mesmo meio, o cosmos, e é para com este meio que os indivíduos se situam (num todo). ou seja, longe da concepção ocidental de direitos humanos que garante apenas direitos a quem tem deveres, (e daí a natureza - incluindo os animais- não ter direitos porque não lhes são impostos deveres) há que pensar que os humanos se situam num todo com o qual estabelecem relações de harmonia e bem estar e não só entre indivíduos ou só para com a sua sociedade.
o documentário "Earthlings", realizado pela organização Nation Earth, pretende alertar para a ideia de que não é possível vermos os animais à medida dos homens. caso contrário, podemos estar a assistir (e a compactuar com) a outro tipo de holocausto, tão válido como aqueles que a história já registou.
Site oficial: http://www.isawearthlings.com/
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
para saborear
AZEVIAS
como fazer:
- 250 g grão cozido
- 150 g açúcar
- 2 dl água
- 2 gema(s) de ovo
- canela em pó
- raspa de laranja
- óleo para fritar
- banha q.b
- 175gr farinha
- 1 colher de sopa de azeite
- sal q.b.
Prepara uma massa tenra.
PREPARAÇÃO:
Deita-se a farinha num alguidar e junta-se as gorduras, derretidas ao lume. Com a mão vai-se incorporando. Junta-se a pouco e pouco água morna temperada com sal e amassa-se até despegar do alguidar.Põe-se em cima de pedra mármore e sova-se bem. A massa estará pronta quando ao fazer-lhe um golpe com uma faca afiada, apresentar buracos como o pão. Espera-se 15 minutos antes de tender.
Tira a pele ao grão cozido e esmaga. Com o açúcar e a água prepara uma calda de açúcar fazendo ponto pérola. Junta o puré do grão, raspa de laranja e deixa ferver suavemente. Fora do calor, junta as gemas e canela.
Estende a massa tenra, dispõe o recheio, já frio, em montinhos espaçados, dobra e corta em meias luas.
Frita em óleo e escorre sobre papel absorvente.
Bom apetite!
:)













