domingo, 9 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
the eye
Cada vez mais tenho dificuldade em perceber se as pessoas com quem falo e trato de questões de trabalho, indivíduos sem nenhum vínculo afectivo e de cumplicidade comigo, sabem o que é o exercício de se imaginarem de fora.
Frequentemente, sem aparente motivo, surge no meu ecrã uma imagem de mim, naquele preciso momento. Estou a olhar-me de fora, a ver-me nas minhas actividades do dia a dia, mas sempre de fora, imaginando como é que os outros me veriam, ou melhor, a desenhar a minha presença, o meu fenómeno, numa tentativa de o sentir, perspectivar-me numa distância impossivelmente alcançável, e pensar sobre mim. (no meio do outro)
Este processo não se prende com a ideia de imagem perfeita para os olhares alheios, não é por isso que acontece. Acontece de forma espontânea, quase um delírio, uma viagem para o lado de lá. A expressão do olhar e do corpo acabam por desvendar este momento quase de transe. Fico voltada para dentro ao voltar-me para fora.
Mas há pessoas que nunca se esboçaram numa caricatura. Desconhecem a sua sombra.
Há criaturas que nunca dilatam os seus olhos por uma questão de segundos no meio da sua vidinha medíocre de ratos. Hão-de ficar incapacitados por uma corcunda patológica de tanto olharem para os umbigos, secos e desnutridos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
poema
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
terça-feira, 20 de novembro de 2007
old friends
só entre velhos amigos... é que paramos para pensar no que acabaram de nos dizer, quase ao ouvido.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
woman
pintura de Outlaw JesusAs mãos já enrugam nas dobradiças dos dedos, frias.
Deixei o lápis preto e o rímel para uma outra noite.
Despi a roupa do dia, transpirada pela espera maldita,
Servi-me do jantar feito com requinte e cuidado
Saboreei um quadradinho de chocolate negro
Acariciei o gato de textura escura
Que me persegue, insaciado, por um gesto de afago.
Desconheço o espaço anterior a este,
Não me lembro.
O meu corpo é a expressão não pensada do que um dia foi.
domingo, 11 de novembro de 2007
passei por aqui, hoje
é sempre bom ir ao Porto
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
miau!
os gatos no cimo de cumes brancos
escondem estórias de mistério.
domingo, 4 de novembro de 2007
fico
No embalo do meu próprio ombro
No cheiro intrínseco a mim
Nos dias emagrecidos pela noite longa
Na lua que de súbito se esconde
Na ausência
Na saudade
Na incompletude do meu espaço
Na silhueta de perfis esguios.
No embalo do meu próprio ombro
Me escondo e fico
Nos ângulos escuros das portas semi-abertas.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
os animais
o debate sobre a relação entre os animais e a população humana não é recente. no entanto, pensar o conceito de dignidade no seio deste debate assume contornos bastante contemporâneos, implicando uma reconstrução necessária da ideia de "direitos dos animais". ao nível do senso comum, os animais têm um conjunto de direitos que a priori de uma reflexão mais profunda resultam numa clara evidência. contudo, os animais não vivem sozinhos, imunes às práticas culturais, económicas, políticas de quem também habita o mundo. se pensarmos na interacção mais antiga e mais recente entre os humanos e os animais num mesmo meio que é o planeta Terra, essa evidência (que os animais têm direito a ter direitos) rapidamente cai por terra. será que só os humanos têm direito a ter direitos? (a questão da universalidade dos direitos humanos é outra temática para outro post)
o que eu acho que nós, humanos, podemos fazer pelo respeito pelos animais passa, em primeiro lugar, pela consciência de que (e buscando a definição hindu de direitos humanos, dharma) a natureza e os homens partilham um mesmo meio, o cosmos, e é para com este meio que os indivíduos se situam (num todo). ou seja, longe da concepção ocidental de direitos humanos que garante apenas direitos a quem tem deveres, (e daí a natureza - incluindo os animais- não ter direitos porque não lhes são impostos deveres) há que pensar que os humanos se situam num todo com o qual estabelecem relações de harmonia e bem estar e não só entre indivíduos ou só para com a sua sociedade.
o documentário "Earthlings", realizado pela organização Nation Earth, pretende alertar para a ideia de que não é possível vermos os animais à medida dos homens. caso contrário, podemos estar a assistir (e a compactuar com) a outro tipo de holocausto, tão válido como aqueles que a história já registou.
Site oficial: http://www.isawearthlings.com/
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
para saborear
AZEVIAS
como fazer:
- 250 g grão cozido
- 150 g açúcar
- 2 dl água
- 2 gema(s) de ovo
- canela em pó
- raspa de laranja
- óleo para fritar
- banha q.b
- 175gr farinha
- 1 colher de sopa de azeite
- sal q.b.
Prepara uma massa tenra.
PREPARAÇÃO:
Deita-se a farinha num alguidar e junta-se as gorduras, derretidas ao lume. Com a mão vai-se incorporando. Junta-se a pouco e pouco água morna temperada com sal e amassa-se até despegar do alguidar.Põe-se em cima de pedra mármore e sova-se bem. A massa estará pronta quando ao fazer-lhe um golpe com uma faca afiada, apresentar buracos como o pão. Espera-se 15 minutos antes de tender.
Tira a pele ao grão cozido e esmaga. Com o açúcar e a água prepara uma calda de açúcar fazendo ponto pérola. Junta o puré do grão, raspa de laranja e deixa ferver suavemente. Fora do calor, junta as gemas e canela.
Estende a massa tenra, dispõe o recheio, já frio, em montinhos espaçados, dobra e corta em meias luas.
Frita em óleo e escorre sobre papel absorvente.
Bom apetite!
:)
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
figuras antropomórficas
esculturas de Scott Radke
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
metamorfose
Gregor transformou-se em barata gigante. Eu não: fiz-me aranhiço,
tão leve que uma leve brisa o faz oscilar no seu fio de baba lisa.
Até que, contra a lei da natureza, creio que tenho peso negativo,
e me elevo ao ar se me não prendo ao canto mais escuro desta ilha.
Quando descer à teia derradeira não se verá no mundo alteração, ou só
talvez alguma mosca mais contente. Em noites de luar, na alta esquina,
ficará a brilhar, mas sem ser vista, a estrela que tracei como armadilha.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
The Tell-Tale Heart
TRUE! nervous, very, very dreadfully nervous I had been and am; but why WILL you say that I am mad? The disease had sharpened my senses, not destroyed, not dulled them. Above all was the sense of hearing acute. I heard all things in the heaven and in the earth. I heard many things in hell. How then am I mad? Hearken! and observe how healthily, how calmly, I can tell you the whole story:
pela voz de James Mason
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
embaciar o silêncio
Sakura
pintura de Outlaw Jesus
através de um qualquer vidro de natureza dupla
permaneço
quieta,
espaço fragmentado.
a calma respira,
a liberdade cristaliza-se num suspiro
fundo.
embaciar o silêncio e vê-lo à minha frente.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Olá, cá estamos nós outra vez, Estrela do mar
Olá, cá estamos nós outra vez
Voo Nocturno, 2007
Estrela do Mar
Asas e Penas, 1984
Jorge Palma
domingo, 14 de outubro de 2007
processo
contrario aquilo que sinto,
sou coerente com aquilo que quero,
iludo o teu olhar com o meu,
esqueço o que vejo quando me olhas?
sábado, 13 de outubro de 2007
aquele abraço
abraças, entregas-te
risos.
não queres permanecer no sítio errado, ninguém quer.
neste fim de tarde, o jogo de luzes a branco no preto
dissipou, por momentos, a ansiedade de partir para qualquer outro lugar.
as tuas costas ficaram estendidas, os teus braços abertos à terra, a tocar areia porosa.
mas o verão foi de viagem, como tu.
quiseste segui-lo para poderes continuar a entrega, noutras paragens.
fotografia: Celina
Vibrissa
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
terça-feira, 9 de outubro de 2007
em silêncio
os dois senhores, fotografias de Karina Bertoncini
À medida que acumulo vida
Fico mais tempo
Esse ficando é sereno, honesto, emancipado.
Fico
Com um cigarro que me vai filtrando…
E sem pudor sinto – em silêncio –
Aquilo que sou.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
domingo, 7 de outubro de 2007
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
hipótese (?)
A luxúria é o orgulho do corpo; o amor é o orgulho da alma, um orgulho que não é mais que a luxúria da alma.
Alexandre Puchkine
Diário Secreto
(1836-1837)
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Voltar
O início de um novo começo está a despoletar algo... Há decisões a necessitar de moderação, de reflexão em processo, de olhares precisos, de re-leituras.






















